sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Fotojornalismo e Prática

Encerramos ontem a 1a. Semana de Fotojornalismo J.Junior com o debate “Fotojornalismo e Prática”.

Os convidados de quinta-feira foram Camilo Vannuchi, José Diório, Toni Pires e João Bittar, além de Atílio Avancini, sempre presente nas nossas mesas de debate.

Atílio abriu a conversa e, em seguida, o microfone foi passado aos nossos convidados para que cada um pudesse se apresentar.

Após as apresentações, Camilo Vannuchi falou sobre o papel da fotografia no jornalismo, enquanto mostrava exemplos explicativos de reportagens da imprensa brasileira em uma exibição de slides. Vannuchi levou matérias nas quais a fotografia desempenhava diferentes funções: em algumas, a foto guiou o texto, pois ele não existiria sem ela; em outras, a fotografia não contava a história por si, apenas ilustrava o texto; existem também situações em que a foto complementa o texto, uma vez que conta a história junto com ele. Essa última função é freqüentemente observada nas reportagens. Além disso, a foto jornalística é síntese da matéria. “A fotografia atrai o leitor de uma maneira que o texto sozinho não pode fazer”, disse Vannuchi.

A palavra então foi passada para João Bittar. Ele falou sobre o seu trabalho nas revistas
Veja, Isto É e Angular. “A melhor fotografia é a que eu posso dominar todo o processo”, da pauta à foto, afirmou Bittar. “Quem edita melhor a foto é o seu próprio autor”, prosseguiu. Referindo-se à variedade de revistas existentes nas bancas, disse que “é possível fazer bom jornalismo de qualquer assunto”. Antes de entregar o microfone a José Diório, Atílio lembrou que João Bittar começou sua carreira como office-boy na Editora Abril.

José Diório apresentou uma seqüência de fotografias do incêndio que ele cobriu, na favela Buraco Quente, em São Paulo. Uma dessas fotos garantiu-lhe a 1a. colocação no World Press Photo – General News. Diório mostrou também outras seqüências em diferentes ocasiões, como em um salto de pára-quedas.

O último convidado a falar foi Toni Pires. Referindo-se à evolução tecnológica, Toni comentou que hoje exige-se muito mais do fotojornalista. “Você tem que ser um profissional completo”. Frisou a importância da leitura de jornais para a formação do fotojornalista. “Não tem como você ser um bom fotógrafo de jornal se você não lê jornal”, afirmou. Falando sobre a foto de Diório que foi premiada, Toni disse que muitos fotógrafos se prendem a premiações e não dão o valor merecido a suas próprias fotografias. “O fotógrafo deve acreditar na qualidade da sua foto (...). O importante não é o prêmio; o importante é o que a foto quer comunicar”.

Infelizmente, não houve tempo para abrir o debate às perguntas da platéia. Para encerrar a conversa, Atílio Avancini fez uma pergunta aos convidados: “O que é fotojornalismo?”

Camilo Vannuchi respondeu que fotojornalismo é fazer notícia sem palavras.

José Diório disse que fazer fotojornalismo é contar uma história numa imagem sucinta. “Foto boa é aquela que não precisa de legenda”.

Toni Pires respondeu que fotojornalismo é contar histórias através o visual.

João Bittar concluiu dizendo que o fotojornalismo é uma arma da mídia. É a ciência da repetição e acumulação de experiência. Um instrumento de contestação, uma arma muito poderosa quando bem usada.


Finalizamos com a premiação das melhores fotografias tiradas na Saída Fotográfica de terça-feira. O vencedor foi Igor Oliveira, que ganhou uma máquina fotográfica digital Tekpix DV5000, da TecnoMania, e um livro. Segundo, terceiro, quarto e quinto colocados também ganharam livros. Foram eles: Alexandre de Paulo (2o. lugar); Gabriela Nehring (3o. lugar); Carolina Nehring (4o. lugar); Ilana Lichtenstein (5o. lugar). A 6a. colocação ficou para Caio Paganotte. Parabéns a todos! Todas as fotografias da Saída ficarão expostas durante duas semanas no Espaço Prof. Milton Santos do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), na Escola de Comunicações e Artes da USP.

Na saída, conversamos com Toni Pires e com João Bittar para saber o que eles acharam do debate.

Toni disse que a conversa foi muito boa, mas lamentou não ter dado tempo de abrir o debate para a platéia, porque todos aprendem muito com a discussão. Comentou a importância de o jornalista conversar sobre esse tema, mesmo que ele não tenha intenção de seguir carreira na área de imagem. “Achei muito legal, vocês estão de parabéns!”. Em seguida, destacou novamente que o objetivo da foto é comunicar e concluiu: “Precisamos resgatar a qualidade do jornalismo com urgência.”.

João falou que o fotojornalismo ainda é muito pouco discutido e que levar o mercado fotojornalístico para a academia é sempre muito bom. Comentou que os fotojornalistas do Brasil são muito competentes em comparação com os de outros países. Um exemplo disso foi o prêmio recebido por José Diório. Perguntamos ao João o que ele pensa sobre a necessidade de uma formação acadêmica para que o fotojornalista possa exercer sua profissão. Nosso convidado destacou que quanto maior o acesso à cultura e à informação, melhor o fotojornalista. As experiências pessoais e o enriquecimento intelectual de cada um interferem na fotografia e sensibilizam o olhar do profissional.

Assim encerrou-se a 1a. Semana de Fotojornalismo J.Junior. Esperamos que tenham aproveitado e que o evento tenha acumulado conhecimento aos que estiveram presentes.

Os inscritos receberão o certificado de participação em breve, via e-mail.

A Empresa J.Junior agradece a participação de todos os convidados, que, gentilmente, aceitaram falar sobre a sua profissão nesta semana; aos ouvintes que presenciaram o evento e um “muito obrigado” especial ao Professor Atílio Avancini.

Até a próxima Semana!

J.Junior

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

"Fotojornalismo e Academia"

Ontem, terceiro dia da 1a. Semana de Fotojornalismo, realizou-se o debate "Fotojornalismo e Academia" no Auditório Freitas Nobre da Escola de Comunicações e Artes da USP. Os convidados Cristiano Mascaro e Ronaldo Entler falaram sobre suas experiências fotojornalísticas e colocaram alguns temas polêmicos em pauta. Infelizmente, Boris Kossoy, que também fora convidado, não pôde comparecer.

Começamos dando a palavra a Cristiano Mascaro. Enquanto falava sobre o seu trabalho na revista Veja, exibiu fotografias de sua autoria numa apresentação de slides. Mascaro comentou as fotos, explicando a ocasião em que foram tiradas, as dificuldades e aventuras pelas quais ele passou para conseguir tais imagens. Entretanto, um dos pontos mais destacados foi a questão autoral dos fotógrafos. Segundo ele, a autoria das fotografias publicadas em jornais e revistas deveria ser tão valorizada quanto a autoria dos textos, o que não ocorre na prática.

Em seguida, Ronaldo Entler nos contou um caso pessoal, no qual a reivindicação dos direitos sobre fotografias de sua autoria foi parar na Justiça. Ronaldo perdera a causa. Declarou que falta clareza no conceito de autoria e que a Lei de Imprensa não dá o respaldo necessário para que o fotojornalista reclame seus direitos e abandona-o num desamparo legal difícil de ser superado.

Outro ponto de destaque no debate de ontem foi a evolução tecnológica, que substituiu as máquinas fotográficas analógicas pelas digitais. Tanto Entler quanto Mascaro falaram positivamente do tempo de espera para a revelação das fotos analógicas. Apesar da praticidade que a fotografia digital oferece, poda-se o prazer de saciar a ansiedade em revelar as fotografias que ficavam escondidas no rolo do filme. Entler disse que "do ponto de vista industrial não era vantagem nenhuma", mas que era fantástico ficar reconstituindo as fotos na imaginação depois de um dia de trabalho e, mais tarde, surpreender-se com o resultado. "A sensação que eu tenho é que ela (a fotografia digital) se entrega rápido demais (...). Não tem o namoro, a paquera. Parte logo para o sexo!", brincou ele metaforizando a rapidez com que se pode visualizar as fotografias na câmera digital.

Ronaldo Entler prosseguiu com a exibição de fotografias da autoria de Julio Bittencourt, sobre quem escreveu um texto cujo tema era fotojornalismo. Entler comentou que a fotografia concede ao fotógrafo uma capacidade enorme de transmitir informações e usou as fotos de Bittencourt como exemplo desse potencial. "O fotógrafo sempre quer dizer alguma coisa; o problema é as pessoas não perceberem isso", afirmou. Disse ainda que o fotógrafo não pode ter medo de escrever, pois isso faz parte do fotojornalismo.

Prosseguimos abrindo espaço para perguntas da platéia, de onde surgiram temas como: a manipulação de imagens através de programas de computador; a distinção entre fotografia jornalística e fotografia artística; a necessidade de formação universitária para que um fotojonalista possa exercer sua profissão.

Em relação à manipulação das imagens, Entler afirmou que desacreditar da autenticidade absoluta da fotografia é algo tão importante quanto desconfiar dos textos que lemos, pois estes também são alterados por editores e corretores antes de chegar ao público. Respondendo a pergunta sobre a fronteira entre ensaio fotográfico e fotojornalismo, Ronaldo disse que o limite conceitual que separa esses dois campos se pauta por uma questão ética: o artista tem um nível de liberdade que o jornalista não pode alcançar. Esse limite tem a ver com o papel do jornalismo na sociedade e o seu compromisso com a verdade.

Quanto à necessidade de um fotógrafo ser formado em Jornalismo para exercer a profissão de fotojornalista, Cristiano Mascaro afirmou: "Para mim, o importante é ser bem informado." O fotojornalista deve saber escrever e, para tanto, "é fundamental ler." Segundo ele, o fato do profissional ter cursado uma universidade deve ser considerado não tanto pelo diploma, mas pela formação intelectual. Ronaldo Entler, concordando com Mascaro, afirmou que a formação do fotojornalista é fundamental, mesmo que não seja em Jornalismo.

Finalizado o debate, conversamos com os convidados para saber o que eles acharam do evento. Os dois, muito simpáticos, atenderam atenciosamente à nossa equipe e aos participantes da Semana que formaram fila para conversar com eles.

Ronaldo disse ter ficado surpreso com o público e que não esperava a presença de tantas pessoas. "O evento foi organizado com muito profissionalismo." Agradeceu a atenção recebida durante os contatos realizados com a Comissão de Eventos da J.Junior antes do debate e elogiou a organização.

Mascaro comentou que a fotografia vem sendo discutida com muito mais freqüência ultimamente, principalmente no que se trata das novas tecnologias e do atual papel da fotografia tanto na arte quanto na informação. Ele também se surpreendeu com o número de pessoas que foram assistir ao debate. Notou que o público era especializado e interessado no assunto. "Gostei muito da conversa. (...) A sala esteve lotada do começo ao fim. (...) Vocês estão de parabéns, gostei muito."

A J.Junior agradece aos convidados e ao público que compareceu a mais este dia de discussão sobre fotojornalismo.

Hoje teremos o debate 'Fotojornalismo e Prática', com Toni Pires, editor de fotografia da Folha de S. Paulo; João Bittar, editor de fotografia da Editora Globo; José Diório, fotojornalista da OESP (do grupo do Estado de S. Paulo), ganhador do prêmio Wordpress; e Camilo Vannuchi, formado pela ECA-USP e autor do texto "A Fotografia na Imprensa", dentro do projeto Êxodos, de Sebastião Salgado. Assim como na segunda e ontem, o debate realizar-se-á no Auditório Freitas Nobre da ECA a partir das 17 horas.

Esperamos encerrar a 1a. Semana de Fotojornalismo com a presença de todos.

Gratos pela participação!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Saída Fotográfica

A Saída Fotográfica de ontem foi um sucesso! Cada ângulo do Mercado Municipal de São Paulo foi fotografado.
















Máquinas fotográficas dos mais variados modelos registraram aquela pacata tarde fria de segunda-feira. Maiores ou menores, analógicas ou digitais, profissionais ou amadoras, todas tiveram a oportunidade de capturar um "momento decisivo".



Os participantes da 1a. Semana de Fotojornalismo observavam na simplicidade de cada cena a chance de conseguir bater a melhor foto.

O vencedor, saberemos na quinta-feira quem será!

Boa sorte!





























"Jogo da Identidade"

As respostas corretas do "Jogo da Identidade" foram:

1 B (Henri Matisse)

2 C (Pablo Picasso)

3 C (Truman Capote)

4 B (Robert Flaherty)

5 B (Simone de Beauvoir)

6 A (Marylin Monroe)

7 B (Robert Kennedy)

8 B (Che Guevara)

9 C (Susan Sontag)

10 A (Jean Rouch)

O prêmio será entregue hoje durante o debate 'Fotojornalismo e Teoria', que realizar-se-á a partir das 17 horas.

Vale lembrar: mesmo que você não tenha se inscrito para a 1a. Semana de Fotojornalismo, você pode assistir às palestras e debates do evento. As pessoas que se inscreveram, não esqueçam de assinar a lista de presença para receber o certificado de participação.

Hoje vamos receber os convidados Boris Kossoy, professor do curso de jornalismo da USP; Cristiano Mascaro, arquiteto, fotógrafo e ex-professor da FAU-Santos; e Ronaldo Entler, Professor Doutor, fotógrafo, professor da Fac. de Comunicação da FAAP e da Pós-graduação da Unicamp.

Estão todos convidados a assistir este evento!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Ganhador do Jogo IDENTIDADE

Parabéns, Paulo Fehvaler!

Aula sobre Cartier Bresson

Ontem, dia 27 de agosto, deu-se início à 1ª Semana de Fotojornalismo, organizada pela J. Junior.

Para esse primeiro dia, foram convidados Atílio Avancini – prof. de fotojornalismo da Escola de Comunicações e Artes da USP – e Leonardo Feder – recém-formado em Jornalismo, também na USP.

Para explanar o tema "momento decisivo", eles deram uma aula sobre a vida e a obra do fotógrafo francês Cartier Bresson, fazendo um paralelo com a história da fotografia.




Leonardo exibiu vários slides com fotos da autoria de Bresson, o que despertou o interesse dos participantes da Semana, enquanto o Prof. Atílio dava dicas técnicas, com base nos exemplos do artista. O Prof. também explicou como a fotografia começou a servir ao jornalismo e de que maneira ela pode transmitir informações, servindo como fotoreportagem. Leonardo afirmou ter escolhido Bresson como tema de seu estudo pela sua importância na prática fotojornalística. "Cartier Bresson é o pai do fotojornalismo", diz Leonardo, que realizou o estudo científico do trabalho de Bresson após ter sido aconselhado pelo Prof. Atílio. "O Atilio falou muito sobre Bresson pelo fato dele ter falecido em 2004. Então fiz um trabalho sobre ele e o Prof. aconselhou-me a continuar, como estudo científico".

O final da aula foi aberto a perguntas dos participantes. Nesse momento, o Prof. Joel, da ECA, foi convidado pelo Prof. Atílio a se sentar à mesa de convidados para enriquecer o conteúdo das respostas. Os professores responderam algumas dúvidas técnicas sobre fotografia e deram dicas para a Saída Fotográfica de hoje, às 15 horas. "Temos que procurar nos encontrarmos com a foto", disse o Prof. Joel.

Ao receber o protesto do auditório em relação ao limite de 40 pessoas para a Saída Fotográfica, os organizadores do evento explicaram que dificuldades técnicas impediram que a Saída fosse aberta a um número maior de participantes e que as limitações se devem ao fato desta ser a primeira realização deste evento. Eles prometeram melhorar a cada experiência.

O interesse dos participantes da Semana surpreendeu os convidados. O auditório cheio e a presença de pessoas de fora da Escola de Comunicações e Artes foram pontos que o Prof. Atílio destacou em uma pequena entrevista após a aula. Satisfeito com o resultado, ele afirmou: "Este é o ponto de partida de um projeto interessante, que dará muitos frutos".

Depois da aula, os participantes foram convidados ao coquetel, onde puderam apreciar a exposição de fotografias da autoria de Leonardo Feder, com o tema "momento decisivo".


Links onde pode-se encontrar bancos fotografias da autoria de Cartier Bresson:
http://www.magnumphotos.com/
http://www.metmuseum.org/

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Apresentação

A 1ª Semana de Fotojornalismo acontecerá de 27 a 30 de agosto e é mais um evento de uma série que a J. Jr., realiza com o intuito de difundir entre os estudantes de comunicação as diversas possibilidades de atuação no mercado jornalístico. Os debates pretendem um questionamento crítico da teória e da prática do fotojornalismo e das relações da fotografia com as funções da comunicação - desde a popularização do daguerreótipo até os “piexels” das câmeras digitais!

Veja a programação completa no site www.jjunior.org.br/fotojornalismo.htm

Durante os dias do evento, serão publicadas notícias e fotos das atividades - não deixe de visitar o blog e deixar suas impressões!